Desde o séc. XVII que se tentava inventar uma máquina
lavadora de roupa, mas só com a invenção e popularização do motor elétrico, no
começo do século XX, é que se conseguiu uma lavadora que funcionasse mais
eficientemente.
Em Coimbra tardou a utilização em massa deste equipamento e
as famílias com fracos recursos económicos iam ao rio, junto ao atual parque da
cidade, lavar as suas roupas.
As mais abastadas, assim como os estudantes hospedados na
Cidade, procuravam quem lhas lavasse, fazendo nascer assim, nas aldeias mais
próximas, Torres do Mondego, Casal da Misarela e Vendas de Ceira, uma atividade
artesanal e uma figura típica - as LAVADEIRAS.
Todas
as segundas-feiras, as lavadeiras entregavam as trouxas de roupa já lavada e
traziam, "em troca", a suja.
No cais fazia-se a carga e descarga das barcas serranas, que
transportavam as trouxas da roupa e no Largo da Portagem descarregavam-se e
carregavam-se os carros de bois, também eles transportando trouxas.
A fazer cenário a este entreposto de distribuição de roupas,
a Real Companhia Central Vinícola de Portugal fazia publicidade numa parede da
Couraça de Estrela. A Real Companhia, com sede em Coimbra, criada em 20 de
Janeiro de 1905 tinha como área de intervenção os distritos de Coimbra, Aveiro,
Viseu, Guarda, Castelo Branco e Leiria.
Tinha como associados de relevo a Associação Vinícola da
Bairrada, a Adega Regional de Coimbra e Sindicato de Nelas
O objetivo desta Companhia terá sido obter
"consideráveis massas de tipos regionais bem constituídos e
equilibrados". Tratou-se de uma experiência precursora dos vinhos
regionais, cuja produção viria a ser regulamentada quase um século mais tarde,
só em 1993!
